UFRN tem três destaques no Prêmio Capes de Tese 2025

Notícia publicada em 1/09/2025Gerais
Fabrício Montenegro de Sala de Ciência-Agecom/UFRN

Na Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), estudantes têm se destacado por seus trabalhos de conclusão de pós-graduação, depois de conquistarem reconhecimento nacional, por meio do Prêmio Capes de Tese. Criado em 2005 e realizado pela primeira vez em 2006, ele é promovido pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), fundação vinculada ao Ministério da Educação (MEC).

São escolhidos os melhores trabalhos de conclusão de doutorado em programas de pós-graduação brasileiros, com base em critérios como originalidade, relevância social, tecnológica e inovação.

Na edição de 2025, a UFRN se sobressaiu em três categorias: Antropologia/Arqueologia; Arquitetura, Urbanismo e Design; e Astronomia/Física, repetindo o número da edição anterior, quando três estudantes também se destacaram. O resultado preliminar foi divulgado na última terça-feira, dia 19, e inclui os trabalhos de conclusão de doutorado de Amanda Raquel da Silva, Plínio Renan Gonçalves da Silveira e Álvaro Santos de Jesus.

Estudantes da UFRN com destaque no Prêmio Capes de Tese

Antropologia

No Programa de Pós-Graduação em Antropologia Social (PPGAS), orientada pela professora Ângela Mercedes, Amanda Raquel explorou o mundo da terceira idade e buscou desmistificar seus estigmas com a tese ‘Idoso tá renovando, por isso não existe idoso’: gênero, sociabilidades e velhices nos forrós, em Natal/RN.

Enquanto trabalhava como agente comunitária de saúde, Amanda interagia com muitas idosas em casas de comunidades. A partir dessa experiência, começou a pesquisar com elas, ainda no mestrado, a respeito da afetividade de mulheres negras no envelhecimento. “Eu esperava ouvir sobre família e amor, mas eu aprendi muito sobre ISTs. Várias delas me contaram histórias de afeto a partir dessas doenças que elas contraíram. Então, no doutorado, eu parti para o tema de sexualidade e terceira idade”, relata.

Segundo a pesquisadora, quando questionados onde encontram namoros, os idosos costumam apontar para os forrós. “Eu conheci um circuito forrozeiro da melhor idade. Em Natal, acompanhei quatro festas, e pude trazer uma dimensão sobre sexualidade, afeto, questões de gênero e até regionalidade, por conta da ligação do forró com o Nordeste. Sobre mulheres que chegam nessa fase da vida e começam a redescobrir o sexo”, contou Amanda.

Arquitetura, Urbanismo e Design

No Programa de Pós-Graduação em Arquitetura e Urbanismo (PPGAU/CT), o estudo Wayfinding no planejamento de campi universitários: reflexões com base na percepção ambiental de pessoas com deficiência visual explorou a percepção física dos espaços das faculdades pelos deficientes visuais. Focado nas instituições federais de ensino superior, Plínio da Silveira foi orientado pela professora Gleice Elali.

Depois de identificar o aumento de políticas afirmativas e de matrículas de deficientes visuais nas instituições, ele notou o despreparo dos campi para receber esses estudantes. “O wayfinding é um conceito que trata do modo como nos deslocamos num ambiente. Os espaços, como estão hoje, atrapalham esse processo de ir e vir”, explicou Plínio.

“No estudo, foram investigadas a Universidade Federal do Ceará (UFC), Universidade Federal da Paraíba (UFPB) e UFRN. Nos principais campi dessas instituições, realizamos visitas exploratórias, entrevistas com vários indivíduos com deficiência visual, grupos focais e passeios com essas pessoas. Também falamos com profissionais do setor de planejamento, de infraestrutura, e  profissionais que trabalham na área de acessibilidade”, disse.

Ainda segundo o arquiteto, o trabalho concluiu que os deficientes visuais têm dificuldade de mapear os locais das instituições, devido à organização labiríntica e à falta de referências sensoriais. “Eu já trabalho com essa temática há muitos anos, desde a graduação. A escolha da tese foi um caminho natural. Como arquiteto, eu também trabalho com projetos de inclusão e acessibilidade. É uma pauta que sempre esteve presente na minha vida acadêmica e profissional”, concluiu.

Física e astronomia

Depois de explorar os mistérios e dúvidas do ramo da física, Álvaro Santos de Jesus, orientado pelo professor Farinaldo da Silva Queiroz, também figura entre os vencedores do prêmio. Na tese Busca por setores escuros: além do modelo padrão de física de partículas, Álvaro desenvolveu, no Programa de Pós-Graduação em Física (PPGF), uma análise teórica e experimental na procura de ideias além do modelo padrão da física de partículas, para tentar responder questões abertas, como a massa dos neutrinos e a matéria escura.

“O trabalho começou com o estudo de modelos teóricos muito usados na literatura. Após a revisão teórica desses modelos, analisamos sua natureza, com foco na análise do espaço de parâmetros explorados em testes anteriores”, explicou o doutor. Na sequência, entramos nos resultados do trabalho, com a proposta de um experimento para buscar por partículas (unidades minúsculas de matéria ou energia), vindas de setores escuros, universos invisíveis de partículas, ainda não detectados pela física.

“Esse experimento poderia ser construído com a reutilização de componentes do acelerador de partículas Fonte de Luz Síncrotron UVX, em Campinas (SP). Caso construído, o experimento teria potencial de desbravar uma região do conjunto de possibilidades que ainda não foi explorada pela comunidade, a ponto de gerar uma competição direta com experimentos realizados no exterior”, completou Álvaro.

Resultado final

Agora, os três trabalhos devem ser analisados novamente pela Capes e vão aguardar a divulgação do resultado final. Nesta edição, a UFRN ainda pode igualar ao número de vencedores de 2024, quando três teses desenvolvidas na instituição se sagraram vencedoras do prêmio.

Fonte: Sala de Ciência – Agecom/UFRN. Texto: Fabrício Montenegro; Edição: Juliana Holanda; Revisão: Rebeca Ribeiro.

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