Peixes seguem regras da sucessão ecológica
Notícia publicada em 22/07/2025GeraisEstudo publicado na Scientific Reports revelou que comunidades de peixes seguem padrões clássicos da sucessão ecológica ao colonizar novos ambientes aquáticos. A pesquisa, conduzida e co-escrita pelo professor Ronaldo Angelini, do Departamento de Engenharia Civil e Ambiental (DECAM/UFRN), foi realizada no Reservatório Intermediário (RI), uma estrutura inédita do complexo hidrelétrico de Belo Monte, no rio Xingu. Os pesquisadores acompanharam por sete anos a transformação ecológica desse ecossistema artificial.

Diferente dos reservatórios convencionais, o RI não foi formado no leito principal do rio, mas sobre uma área de terra firme, com cerca de 120 km quadrados. É abastecido por um canal artificial de 20 km e contém aproximadamente 1 bilhão de metros cúbicos de água. Isso criou um ambiente inteiramente novo, sem influência direta da fauna aquática original, condição rara para estudos científicos.
O monitoramento entre 2016 e 2022 permitiu observar o processo de sucessão em tempo real. No início, o ambiente foi colonizado por poucas espécies generalistas e oportunistas, como pequenos peixes pelágicos. Com o tempo, a diversidade aumentou e espécies mais especializadas passaram a se estabelecer, incluindo peixes bentônicos, como acaris raros e endêmicos, além de grandes predadores e frugívoros com importância pesqueira.
Além do avanço científico, o estudo tem implicações práticas. Os pesquisadores mostram que, mesmo diante de grandes alterações ambientais, como a criação de um reservatório, é possível que a natureza responda com organização e diversidade. Isso reforça a importância do planejamento e do monitoramento ambiental em grandes obras, indicando que ecossistemas artificiais podem, com gestão adequada, contribuir para a biodiversidade regional.
Segundo os autores, o Reservatório Intermediário representa um raro experimento ecológico em mega-escala, com potencial para orientar estratégias de conservação e gestão ambiental em grandes empreendimentos.
Fonte: Sala de Ciência/UFRN. Texto: Mariana Melo; Edição: Hellen Almeida; Revisão: Beatriz de Azevedo.
