Equipe do Darq e PPAPMA/UFRN é premiada em Concurso Nacional
Notícia publicada em 9/05/2023GeraisA equipe do Departamento de Arquitetura (Darq) e do Programa de Pós-Graduação em Arquitetura, Projeto e Meio Ambiente (PPAPMA) da UFRN, vinculados ao Centro de Tecnologia (CT), está entre as cinco propostas premiadas no Concurso Nacional de Ideias Outros Futuros são Possíveis: Territórios e Cidades Democráticas. Promovida pelo Instituto dos Arquitetos do Brasil (IAB), em parceria com o Instituto Lula, a premiação tem como intuito apresentar soluções para territórios e cidades democráticas, justas e sustentáveis que possam ser implementadas e que orientem a reflexão e o planejamento para outros futuros possíveis no Brasil.

O prêmio articula ainda iniciativas de múltiplas naturezas, promovendo a interação entre graduação e pós-graduação, ensino e extensão e conhecimentos acadêmicos e populares (representantes comunitários e a Rede e Inclusão), possibilitando a discussão entre comunidade, projetistas e especialistas.
A ideia apresentada pela equipe da UFRN foi Um outro futuro possível: resistência política e ambiental em Brasília Teimosa e Vietnã. De acordo com a professora Clara Ovídio, do Darq, a proposta parte da compreensão de que as disputas de narrativas socioculturais referentes aos valores e demandas das periferias – territórios urbanos ocupados por segmentos sociais em situação de vulnerabilidade – requisitam um esforço intenso da sociedade civil brasileira comprometida com a democracia para buscar alternativas promotoras de mudanças estruturais no modelo de desenvolvimento humano. “Essa discussão tem o direito à cidade como eixo fundamental, com desdobramentos políticos, formacionais, habitacionais e ambientais”, destaca.

Clara explica que, para a área de importância social composta pelos assentamentos informais Brasília Teimosa e Vietnã, originários dos anos 1960 e localizados no bairro de Santos Reis, região administrativa Leste de Natal (RN), foi incorporada uma abordagem participativa e colaborativa nas análises e nas concepções do plano urbanístico para habitação de interesse social (HIS), bem como dos projetos arquitetônicos de equipamentos de interesse comunitário.
O estudo identifica que o equilíbrio entre os ambientes construídos e os naturais é buscado desde a escolha do terreno. Localizado próximo a áreas de proteção ambiental, o terreno onde localizam-se os assentamentos está contaminado pelo longo uso (1934 a 2012) como área de tancagem para combustíveis da Petrobrás. O estudo aponta que o local apresenta índices acima dos admissíveis no solo, no ar (compostos voláteis) e nas águas subterrâneas por arsênio, chumbo total, cromo, benzeno e ferro. “Ao propor o uso da área, considera-se a obrigatoriedade de descontaminação da gleba e devolve-se à comunidade uma área que possibilita conexão e usufruto para suas demandas”, ressalta.

Os resultados contemplam um plano urbanístico – constituído por HIS, áreas para equipamentos comunitários e um sistema de espaços livres, bem como a integração social, física e urbanística dos assentamentos entre si, com a orla e o bairro – e quatro projetos de equipamentos arquitetônicos de interesse comunitário com programas distintos.
O plano urbanístico proposto trabalha o terreno de tancagem em eixos articuladores que une os assentamentos e o tecido urbano. “Eixos de integração visual e física são explorados entre os assentamentos e a orla para resgatar laços históricos e valorizar relações cotidianas entre moradores, trabalhadores, usuários e transeuntes locais”, pontua a docente.
