Empresa incubada oferta aplicativo para gerir transporte de cargas perigosas

Notícia publicada em 28/01/2025Gerais
Wilson Galvão de Agir/UFRN

A possibilidade de gerenciamento das atividades complexas de transporte de cargas perigosas, de uma forma centralizada, inovadora e que vai muito além de um sistema de telemetria, é a ideia central de um aplicativo desenvolvido pela empresa Spotcon. Disponível no Google Play e em fase de testes com os clientes reais, o Spotcon oferece um passo a passo para atender aos requisitos legais sempre que uma nova rota for iniciada.

A CEO da empresa, Bruna Queiroz, afirma que, dessa forma, multas ambientais serão evitadas, além de garantia na segurança da operação, já que o sistema conecta o gestor, o motorista e as seguradoras. Segundo ela, cada nível de usuários tem seu painel de funcionalidades desenvolvido por meio de entrevistas com usuários e o dia a dia vivenciado por eles. Com ampla experiência anterior em engenharia e elaboração de projetos para atendimento a requisitos legais, Bruna identificou, com o passar do tempo, uma lacuna na área de transporte de cargas perigosas.

“Quando comecei a atender clientes do segmento de postos de combustíveis, percebi que eles, além de vender o combustível, precisam transportar e abastecer seus próprios estabelecimentos. Essa é a realidade de quase todos os donos de postos no Brasil. E o que acontece? A atividade de transporte de cargas perigosas é licenciada, permanente e possui demanda constante, o que a torna extremamente arriscada, envolvendo acidentes, mortes, perdas materiais e danos ambientais”, pontua Bruna Queiroz.

Ela explica que essa atividade deve atender a diversos requisitos legais. Por outro lado, o dono do posto tem como principal objetivo a venda do combustível. “Porém, muitas vezes ele não está atento ao cumprimento dos requisitos legais para o transporte de cargas perigosas”, descreve Bruna.

Segundo a CEO, essa falta de atenção pode ocasionar perdas materiais e aumentar a probabilidade de erros humanos, principalmente pela ausência de treinamento adequado, o que pode resultar em acidentes ambientais. “Reunimos diversos tipos de soluções — tanto de logística, quanto de abastecimento e atendimento a requisitos legais — em um único ponto: o aplicativo Spotcon, com a perspectiva de implantar esse sistema em todo o Brasil”, destaca Bruna.

Ela ressalta que o aplicativo pode ser personalizado para cada estado, adaptando suas funcionalidades às demandas regionais. “Ele é aplicável em todo o território brasileiro e também possui potencial para internacionalização. Fizemos pesquisas fora do Brasil sobre como esse tipo de transporte é regulamentado e adaptamos os requisitos legais para cada região. Além disso, o sistema permite conexão com outras plataformas de serviços digitais. Nesse aspecto, trata-se de uma solução disruptiva”, afirma a CEO.

Vinculada à Tecnatus, incubadora de empresas do Centro de Tecnologia (CT) da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), a Spotcon iniciou suas atividades em 2023. Além de Bruna, a equipe é composta por Rafael Sousa, Michel Peroni, Felipe Nareta, Fabiana Peroni e Vanessa Souza.

Eles salientam que, no momento atual da empresa, o suporte que a incubadora propicia é muito importante para a iniciativa se viabilizar. Doutoranda em Engenharia Química na UFRN, com atividades relacionadas à pesquisa sendo realizadas no Laboratório de Eletroquímica Ambiental e Aplicada (LEAA), Bruna Queiroz defende que é necessária a junção da incubação com a proatividade do empreendedor.

“A gente teve apoio da comunidade. Tínhamos reuniões de incentivo. Existe muita questão de incentivo à aplicação de editais de fundo perdido para conseguir verba para fazer esses projetos de desenvolvimento. Eu acho muito importante, mas também acho importante dizer que também não adianta esperar só pelo fundo perdido”, complementa.

Para ela, startup é uma empresa e sendo assim ela tem que se autopromover de uma forma ou de outra. “Assim, quem está à frente tem que assumir o risco e botar sangue e suor para fazer o negócio dar certo. E não ganhar um edital não quer dizer que você não tenha uma startup boa, uma ideia boa”, acredita.

Dessa forma, coloca Bruna, o inverso também vale. Ela afirma que a existência da Tecnatus é uma porta de entrada, um caminho, para inspirar outras pessoas a realmente empreender. “Eu acho que é um grande incentivo da Universidade, é empreender, investir em pesquisa, desenvolvimento e inovação”, identifica a pesquisadora.

A Tecnatus, para Bruna, tem em si o papel de instruir as pessoas, no sentido de orientar as novas empresas de tecnologia, empresas de engenharia, empresas de pesquisa e desenvolvimento. “A meu ver, hoje eu deixei de ser somente uma engenheira química. Hoje eu me considero uma profissional que analisa negócios, planos de negócios”, acrescenta. Assim, explica ela, faz sair um pouco da visão só do engenheiro e entrar na visão do plano de negócio. “Isso realmente é o que faz uma empresa dar certo, é você ter um bom plano de negócio, é você investir em pesquisa, em desenvolvimento. Eu vejo que a Tecnatus tem que estimular isso”, finaliza Bruna.

Podem submeter projetos à Tecnatus alunos, egressos e empresas que possuam ideias inovadoras, interesse em novos negócios e estejam desenvolvendo soluções tecnologicamente novas ou com melhorias significativas em produtos ou processos nas áreas de Engenharia, Química e Ciências Exatas e da Terra.

Uma vez admitidas no Sistema de Incubação, as startups serão avaliadas em seu processo de desenvolvimento. Após o diagnóstico individualizado para identificar as demandas de cada empresa, é traçado um plano de ação para cada uma com cronograma de reuniões, capacitações, mentorias, oficinas e outras tarefas. Outras informações podem ser obtidas por meio dos telefones (84) 3342 2265, ramal 608, ou (84) 99229-6454.

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