Departamento de Arquitetura realiza ação de extensão em comunidades Quilombolas
Notícia publicada em 12/04/2024GeraisAryela Souza de Ascom CT/UFRN
Equipe de professores, doutorandos e estudantes de graduação do Departamento de Arquitetura e Urbanismo (Darq), vinculado ao Centro de Tecnologia da UFRN (CT/UFRN), visitaram, no dia 6 de abril, a comunidade quilombola Senhor do Bonfim, situada no município de Areia, na Paraíba. A visita faz parte das atividades do projeto de extensão do Darq Assistência técnica a comunidades quilombolas do Rio Grande do Norte e Paraíba.

A visita foi coordenada pelos docentes Eunádia Cavalcante e José Clewton do Nascimento, em conjunto com estudantes do doutorado do Programa de Pós-Graduação em Arquitetura e Urbanismo (PPGAU) Mônica Alves e Pedro Rafael Vidal. A equipe também incluiu os estudantes de graduação do curso de Arquitetura e Urbanismo Augusto Moreira e Railanne de Lima Paulino, e teve o apoio da arquiteta do escritório técnico do IPHAN/PB em Areia, Natallia Azevedo.
A ação teve como objetivo realizar o levantamento arquitetônico da casa grande do antigo engenho Bonfim e do estado de conservação atual do ambiente, além dos danos causados pelo tempo. O projeto de extensão Assistência Técnica a comunidades Quilombolas do Rio Grande do Norte e Paraíba também trabalha com as comunidades Caiana dos Crioulos, em Alagoa Grande (PB), e Picadas, situada em Ipanguaçu (RN).

Atualmente, a casa grande está sem uso e apresenta vários problemas de conservação. Portanto, a comunidade, formada por famílias de agricultores locais, deseja transformar a estrutura em uma hospedaria para os visitantes do quilombo, reforçando as atividades de turismo de base comunitária já desenvolvidas no território e promovendo a preservação do bem de valor patrimonial. O papel do Departamento de Arquitetura é desenvolver esse projeto de reforma.
A história do Bonfim é marcada por um regime de escravidão e de servidão de famílias que seguiram na luta por mais de 90 anos. Reconhecida como um quilombo de resistência, a propriedade foi vendida em 2004 e transformou-se em uma área de conflito após a tentativa dos compradores de expulsar os moradores, ameaçando até mesmo os representantes do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (INCRA). Mas a população resistiu e buscou apoio das fundações locais para o reconhecimento como comunidade remanescente de quilombo.
Apesar da importância dada à casa grande, antiga sede do engenho, a edificação apresenta inúmeras manifestações patológicas devido à falta de manutenção e reparos. É desejo da comunidade que haja uma restauração para que possa abrigar uma cozinha coletiva, uma biblioteca e ambientes de registro da história de resistência das famílias que lutaram pela posse das terras. A próxima etapa da ação de extensão é realizar os desenhos de planta, elevações e o mapa de danos para que possam seguir com o projeto de reforma, futuramente.
