Aula Magna: conferencista considera crítica situação de violência no RN

Notícia publicada em 18/04/2017Gerais

O tema violência começou a comparecer ao debate público nas últimas quatro décadas, quando a sociedade passou a enxergá-lo não mais como algo intrínseco a determinado lugar. Assim, não é apenas um determinado bairro que é violento, mas uma cidade inteira, o que equivale a dizer que a violência passa a se inserir no cotidiano de todos os que estão naquele espaço geográfico.

Sob esse viés, o professor Sérgio Adorno discorreu na Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), durante a Aula Magna 2017 da Instituição, na manhã desta segunda-feira, 17, sobre as tendências e dinâmicas da violência na contemporaneidade e porque realizar o enfrentamento. Para ele, a pesquisa presente se movimenta em torno principalmente de quatro eixos: estudo do crime e das formas organizadas de criminalidade; graves violações de direitos humanos; violência nas relações intersubjetivas e interpessoais; e os sentidos da violência na história.

“Combater a violência é combater a desigualdade e fortalecer a democracia. Entretanto, atualmente nos deparamos com uma relação conflituosa e que se apresenta como um desafio: como articular direitos humanos com a lei e a ordem? Afinal, a lei e a ordem não podem estar dissociadas dos direitos fundamentais”, enfatizou o professor da Universidade de São Paulo, para logo em seguida afirmar que a história do Brasil pode ser escrita como uma história social de violência.

Esses questionamentos encontraram eco nas palavras da reitora da UFRN, Ângela Maria Paiva Cruz, quando a gestora afirmou que é necessário refletir cientificamente quando fatores de variada natureza se somam para revelar quadros de violência urbana. “Assim, a UFRN, enquanto instância superior do ensino e do aprendizado, financiada pela sociedade, tem o compromisso de fazê-la melhor. E assim estamos procedendo. Para termos uma ideia, atualmente mais de 60 pesquisas são desenvolvidas na Universidade tendo como temática a violência”.

Durante a explanação, Sérgio Adorno afirmou que a situação no Rio Grande do Norte é considerada crítica, com uma taxa de 62,1 crimes para cada cem mil habitantes, mais do que o dobro da média nacional. A gestora relembrou o caso do servidor José Wilson de Souza, recentemente assassinado durante atividades do trabalho em um final de semana onde outros 30 assassinatos foram registrados no estado. Para ela, “é natural que nos assustemos e que busquemos entender o que está ocorrendo, para, de algum modo contribuir para superar a questão”.

Fonte: Boletim Diário da UFRN – Natal/RN, segunda-feira, 17 de abril de 2017 – nº 70 – Ano XVII

VEJA TAMBÉM